Assis (Itália). No dia 3 de outubro de 2020, “véspera da festa do Poverello”, no túmulo de São Francisco, na cripta da Basílica Inferior de Assis, o Papa Francisco assinou a Carta Encíclica “Fratelli tutti” sobre a fraternidade e a amizade social.

A assinatura das cópias em diversas línguas foi feita no altar sobre o túmulo de São Francisco (1182-1226), no final de uma Celebração Eucarística caracterizada pela simplicidade franciscana, com reduzida presença de religiosos e religiosas.

Eu a ofereci a Deus junto ao túmulo de São Francisco, no qual me inspirei, como para a precedente Laudato Si’”, explicou o Sumo Pontífice, que com a Encíclica sobre o tema da fraternidade humana, a terceira desde o início do pontificado, está em continuidade com seus predecessores: “Os sinais dos tempos mostram claramente que a fraternidade humana e o cuidado da criação constituem o único caminho para o desenvolvimento integral e a paz, já indicados pelos Santos Papas João XXIII, Paulo VI e João Paulo II” (Ângelus 4 de outubro de 2020).

 A Encíclica, tornada pública em 4 de outubro de 2020, festa do Santo Patrono da Europa, começa com as palavras com que São Francisco se dirigia a todos os seus irmãos  e irmãs – “Fratelli tutti” – convidando “a um amor que vai além das barreiras da geografia e do espaço”.

O Papa Francisco se faz intérprete, no hoje, do mesmo desejo que animava o Santo cujo nome escolheu para o seu pontificado: “Sonhamos como uma só humanidade, como viajantes feitos da mesma carne humana, como filhos desta mesma terra que acolhe a todos nós, cada um com a riqueza da sua fé ou das suas convicções, cada um com a própria voz, todos irmãos!”.

Dois episódios inspiram o Papa Francisco a redigir a Carta Encíclica conferindo-lhe um caráter ecumênico: a visita de São Francisco ao Sultão Malik-al-Kamil no Egito, que atesta seu desejo de expressar o amor de Deus vivendo uma humilde e fraterna “submissão”, mesmo diante daqueles que não compartilhavam a sua fé; e seu encontro com o Grande Imam Ahmad Al-Tayyeb em Abu Dhabi, em 4 de fevereiro de 2019, para assinar o “Documento sobre a fraternidade humana para a paz mundial e a convivência comum”.

Na parte introdutória, o Papa fala do impacto que a pandemia de Covid-19 teve na reflexão, destacando as falsas seguranças e a incapacidade de agir em conjunto: “Apesar de se estar  hiper-conectado, verificou-se uma fragmentação que tornou mais difícil resolver os problemas que nos afetam a todos”.

Nos primeiros 8 capítulos que o compõem, intitulado “As sombras de um mundo fechado”, o Papa Francisco, partindo de uma análise das tendências do mundo atual que impedem o desenvolvimento da fraternidade universal – como o desmoronamento dos sonhos de unidade, o fim da consciência histórica, a falta de um projeto global, a afirmação da cultura do descarte, a falta de respeito aos direitos humanos, as diferentes formas de conflitos, a globalização e o progresso sem uma meta comum, as pandemias e outros flagelos da história, os fenômenos migratórios, a ilusão da comunicação, – junta-se ao convite para caminhar na esperança, que “sabe olhar para além do conforto pessoal, das pequenas seguranças e compensações que estreitam o horizonte, para abrir-se a grandes ideais que tornam a vida mais bela e digna”.

Para superar essas sombras, o Papa indica o caminho de saída na figura do Bom Samaritano (Lc 10,25-37), a quem dedica o segundo capítulo, encorajando a abertura aos outros, a promover caminhos de paz, para começar processos de cura e  de renovado encontro como irmãos e irmãs.

A Carta Encíclica “Fratelli tutti” se conclui com o apelo à paz, à justiça e à fraternidade universal que surgiu do encontro com o Grande Imam Ahmad Al-Tayyeb, com referência à figura de Charles de Foucault, “o irmão universal” e com a Oração ao Criador e a Oração Cristã Ecumênica.

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