Roma (Itália). Todos os sábados, um grupo de Filhas de Maria Auxiliadora da Comunidade Maria Auxiliadora da Casa Geral de Roma (RCG) encontra os voluntários da Comunidade de Santo Egídio na Estação Termini para a distribuição de refeições, mas sobretudo, de escuta e proximidade, a quem já não tem lugar no fluxo da cidade.

A experiência, que já dura há alguns anos, começou com o grupo das neo-missionárias presentes todos os anos na Casa Geral para a preparação missionária e foi-se estendendo progressivamente à Comunidade, envolvendo-a na preparação e distribuição de cerca de trinta refeições e, sobretudo, no apoio a esta iniciativa de caridade, segundo o que está expresso nas Constituições das FMA: “Enquanto membro de uma comunidade específica, a Filha de Maria Auxiliadora é uma enviada” (C 64).

A Irmã Le Thi Anh Dung, estudante da Faculdade de Ciências da Comunicação social da Universidade Pontifícia Salesiana, relata a experiência no portal da internet da Faculdade, Open Prisma:

Superlotada, elegante, em contínuo movimento… assim aparece a estação ferroviária de Roma Termini. É a principal estação ferroviária da capital, a maior da Itália e a quinta da Europa. Aqui parece ver-se o mundo inteiro: cerca de 150 milhões de passageiros por ano e 850 trens que se cruzam todos os dias.

Contudo, Termini é também um lugar onde se pode tornar invisíveis. Chega-se rapidamente, parte-se rapidamente. Milhares de rostos passam, cruzam-se sem se conhecer, partilham-se escadas rolantes sem partilhar a vida. Presos ao próprio caminho, os olhos não conseguem realmente encontrar os dos outros.

À volta desta estrutura tão grande e conhecida reúnem-se os sem-teto e os pobres anônimos. Pessoas que parecem absorvidas pelo ritmo incessante da estação, quase desaparecidas dentro do seu movimento. Não são vistas por quem corre para um trem, nem por quem observa vitrines cintilantes ou lembranças coloridas. A luz da estação ilumina tudo, mas nem sempre consegue alcançar estes irmãos silenciosos.

Um serviço invisível de sábado

No fim de semana, a estação torna-se ainda mais cheia. Contudo, precisamente todos os sábados ao meio-dia, algo muda. Um grupo de leigos e de irmãs encontra-se fora da estação: partilham um almoço simples já preparado e dividem-se em dois pequenos grupos. Um dirige-se para o exterior da estação, o outro entra no átrio central.

Não são suficientemente visíveis para atrair a atenção e, na verdade, não o querem ser. São voluntários leigos da Comunidade de Sant’Egidio e Filhas de Maria Auxiliadora da Casa Geral de Roma. Partem com o desejo de oferecer atenção àqueles que, aos olhos do mundo, se estão tornando invisíveis.

Alimento não só para o corpo

Os voluntários caminham entre as pessoas sem se deixar arrastar pela pressa. A um certo ponto, param: um homem está envolto numa coberta fina, deitado sobre um papelão. «Olá, amigo». No ruído da cidade, aquela simples saudação basta para o despertar. «Queres algo para comer? Hoje temos…».

Não estão ali para distribuir ajudas como um dever, mas para olhar nos olhos a pessoa que têm diante de si. Escutam a resposta para oferecer o que é mais adequado, sabendo que alguns não comem carne de porco por motivos religiosos. Esta delicadeza faz com que se sintam acolhidos, sem distinções.

O amor que torna visível o invisível

Mais à frente encontram Marta, uma idosa sem morada fixa que já os conhece bem. Apenas algumas semanas antes tinham-na encontrado no chão há, sabe-se lá, quanto tempo: foram eles que a levantaram e chamaram a ambulância. Agora cumprimentam-na, perguntam-lhe como está, encorajam-na. Ela não fala italiano, eles não falam bem o inglês. Contudo, entendem-se. No ruído do mundo, o coração encontra a sua linguagem.

Os voluntários continuam o seu percurso. Os trinta almoços preparados são entregues rapidamente, mas sobretudo com atenção. Uma refeição não basta para saciar a fome quotidiana, mas pode aquecer a alma.

Recebendo com os olhos luminosos e com um aceno respeitoso de agradecimento, os sem-teto sabem que não são invisíveis, pelo menos para estes voluntários. E, ao dar um sorriso, muitas vezes com os olhos brilhando, os voluntários reconhecem algo de invisível que só os olhos do coração podem perceber.

A oração que sustenta o milagre invisível

Após cerca de uma hora, a distribuição termina. Mas o apostolado não acaba aqui. O grupo retira-se a uma pequena capela no piso inferior da estação. Ali confiam ao Pai celeste todos os amigos encontrados, agradecem pela alegria partilhada e rezam para que continue a cuidar dos seus filhos mais frágeis. Simples e breve, a oração torna-se a força invisível que sustenta o seu serviço.

A estação continua o seu ritmo frenético, alheia ao que aconteceu em silêncio. Nenhum jornal falará disso: não traz vantagens econômicas nem resultados tangíveis para a sociedade. E, contudo, algo de grande aconteceu: um pequeno milagre. Porque o amor, aquele verdadeiro, tornou visível o invisível e transformou um lugar de passagem num lugar de encontro, mais humano, mais luminoso, mais semelhante ao coração de Deus.

 

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