Roma (Itália). Em 12 de junho de 2025, no salão-teatro da Casa Sagrado Coração de Roma, da Inspetoria São João Bosco (IRO), as Noviças do Noviciado Internacional Maria Auxiliadora de Castel Gandolfo encenaram o espetáculo “Nascidas para o voo”, com os momentos marcantes que prepararam à partida para a Patagônia das primeiras seis muito jovens missionárias Filhas de Maria Auxiliadora, em 14 de novembro de 1877.
Estavam presentes a Superiora Geral do Instituto das FMA, Madre Chiara Cazzuola, com as Conselheiras Gerais, as Comunidades Sagrado Coração e Maria Auxiliadora da Casa Geral, as noviças do PIME, alguns jovens salesianos de Dom Bosco, FMA das outras casas de Roma e jovens.
Ao dar as boas-vindas, a Mestra das Noviças, Irmã Luísa Menozzi, agradeceu a Paola Staiano “pela orientação sábia, pela direção e pelo cuidado amoroso” com que acompanhou “passo a passo” durante o ano as Noviças, na expressividade, na dicção, na elaboração do roteiro, e destacou o aspecto formativo da experiência, “que permitiu interagir entre elas, experimentar-se nas dinâmicas, facilitar, mas também esforçar-se nas relações entre elas. E, sobretudo, permitiu apaixoná-las pelo estudo das fontes carismáticas, reconhecer por trás de uma expressão com a linguagem do século XIX uma história que nos precede, nos comove, mas sobretudo nos move e nos dá coragem, determinação”, especialmente em vista do 150° aniversário das missões das FMA.
Daí o augúrio de Irmã Luísa: “Essas jovens Irmãs que nos precederam, inexperientes, mas cheias do amor de Deus, nos impulsionaram a ‘alçar o voo’. Esse é também o augúrio que fazemos a cada um de nós aqui hoje: elas nos precederam, mas continuam a partir conosco. Estão conosco nessa belíssima empreitada, que é a de ir além dos próprios confins, próximos ou distantes, para levar às terras inexploradas o amor de Deus, a beleza da sua graça e ajudar a todos a entender que só o amor de Deus pode preencher uma vida.”
A primeira cena abre-se na data de 14 de novembro de 1877, com a partida do porto de Gênova das primeiras seis missionárias — acompanhadas por Madre Mazzarello, Irmã Emília Mosca e Irmã Henriqueta Sorbone — com a bênção de Dom Bosco, representado pelo Pe. Gabriel de Aníbal, Pároco da Paróquia dos Stos. Pedro e Paulo de Aprilia, Roma.
Um grande calendário, colocado ao lado da cena como “marcador do tempo”, remonta às origens desse grande evento histórico, com o relato do sonho missionário que Dom Bosco teve em 1872, no qual viu “uma região selvagem e desconhecida” habitada por selvagens, reconhecida depois como a Patagônia.
Em seguida, os expectadores são imersos em cenas de “vida quotidiana”, a partir de 1862, de Main e sua amiga Petronilla, e das primeiras FMA depois, na construção do sonho de conduzir a Deus um número sempre maior de almas, ampliando cada vez mais os horizontes: “agora não estamos mais sozinhas para costurar… e nem para comer, dormir, e quem sabe se um dia também chegaremos à América.”
Através da viva narração, com uma suave dose de humorismo, reflexo do espírito de otimismo salesiano das primeiras Irmãs, as noviças evidenciaram o ardor e o sincero impulso missionário com o qual alimentaram o desejo de alcançar as terras e as almas mais distantes, em primeiro lugar por Madre Mazzarello que a Dom João Cagliero, em 8 de julho de 1876, escreve:
“Esperamos o senhor em breve. Se visse como cresceu o número das Filhas de M. A.! (…) Pode vir escolher um bom número para levar à América, quase todas desejam ir; então venha logo, estamos esperando com todo o coração. Agora ouça o que quero lhe dizer: preste-me atenção, mas de verdade, sabe? Um lugar na América. É verdade que não sirvo para fazer nada, mas sei fazer polenta e vou cuidar para que a roupa não gaste muito sabão; e se quiser, também posso aprender um pouco a cozinhar, enfim, farei todo o possível, para que me faça ir.” (C 6,10).
Emocionante é a apresentação das futuras missionárias em partida, numa atmosfera sugestiva, cada uma com a própria mala e na mão o objeto representativo. Impressiona sempre a muito jovem idade com que viajaram além do oceano para terras desconhecidas, das quais nunca retornariam, mas com o coração repleto de alegria e vibração pela missão que as espera.
Após a audiência com o Papa Pio IX, de quem receberam a bênção, e as últimas confidências das missionárias com a sua Madre, chega o momento da partida do porto de Gênova, de onde zarpa o navio com destino à América, narrado pela Cronistória: “Madre Mazzarello visita cabine por cabine, cama por cama, para assegurar-se de que nada falta para amenizar os desconfortos da viagem para as Irmãs.” (Cron. 2º Vol., p. 289)
Como num “congelar da imagem”, retorna-se à primeira cena — “As irmãs se ajoelham ao redor de Dom Bosco e o Pai levanta a mão para abençoar” — e a narrativa se conclui com os Fundadores que, com Irmã Emília Mosca e Irmã Henriqueta Sorbone, afastam-se do navio.
“Nascemos para o voo, do teu coração amante, Maria, para conquistar almas para Deus. Nascemos para o voo, para levar o Teu nome até os confins da Terra!”
é o refrão do canto com o qual termina o espetáculo.
Após os agradecimentos finais, Madre Chiara expressou sua gratidão às Noviças: “por nos fazerem saborear quanto é bonito tornar a pensar em nossas origens. Misturastes poesia e criatividade com o realismo de uma vocação missionária que nem sempre foi fácil de enfrentar. É bonito ter recorrido aos documentos do nosso Instituto: sentem-se as palavras da Cronistória, das Cartas de Madre Mazzarello. Por isso, é muito bonito recordar que partimos de um vilarejo pequeno, (…) e nos fizestes lembrar de onde nascemos. Pensando em Mornese, vêm à mente as palavras do Salmo: ‘Todas lá nascemos’.
“A vocação missionária é aquela que vivemos quotidianamente, a cada dia de nossa missão. Por isso, agradecemos pela mensagem que nos destes.
“Estamos caminhando rumo ao 150º aniversário da 1ª expedição: não para reviver a história, mas para projetar-se no futuro do Instituto.”
Por fim, a Madre convidou a rezar pelas Noviças do 2º ano, que, dentro de menos de dois meses, em 5 de agosto, farão sua Primeira Profissão.
Foto: Flickr FMA


















